Uma importante data no calendário comercial do país. Lojas de brinquedos e de departamentos são as mais procuradas. Ih… é uma correria só! Os atendentes experimentam um misto de alegria pelas vendas e stress adicional pelo barulho e correria dos miuditos pelos corredores, entre gôndolas abarrotadas dos mais diferentes sonhos de consumo infantil. Os pais, bem, eles acabam por gastar um pouco mais a fim de compensar a falta de tempo que a configuração da vida moderna impõe. Que bom se fosse só isso!
Se todo desafio que as crianças representam pudesse ser enfrentado com uma bola colorida ou um desses bonecos idealizados a partir dos desenhos animados, seria fácil, fácil demais. Mas, o suprimento das necessidades de um ser humano nos primeiros passos da sua existência, certamente que não passa pelos corredores coloridos de uma loja de brinquedos. E isso me angustia. Me angustia ver crianças famintas disputando com adultos por migalhas; me angustia ouvir dos lábios de pequeninos que mal conseguem juntar as primeiras palavras, que desejam água encanada e uma habitação digna para eles e suas famílias; me angustia ver o despreparo dos pais para educar, ensinar, conviver, brincar, e infelizmente até amar aquela criaturinha de olhos brilhantes, desprotegida e que até sem falar comunica seu pedido de socorro.
Convivo com muitos pais. Minha função pastoral me obriga a lidar com os frutos do seu despreparo. Tensões conjugais, ansiedade pelo consumo, sonhos profissionais não alcançados, um passado sem despertamento e estímulo para estudar, baixos salários, subempregos e desemprego. Todos esses fatores, juntos ou separados, constroem o cenário em que vivem as crianças que conheço. Como pastor, a mim foi confiada a missão de contribuir com a educação dessas criaturinhas. Meu Deus, que angústia!
O desafio de alcançar uma criança com a mensagem do Evangelho e tentar faze-la apaixonar-se por Deus e Sua Palavra numa fase da história em que os homens privilegiam o divertimento e o consumo, por si mesma já seria uma tarefa muito maior do que qualquer um de nós poderia supor. Mas, adicione a isto um outro fato relevante e que não pode ser esquecido, a família – sua história, hábitos e total desajuste – e você terá a dimensão exata da angústia do meu coração.
Este é um tempo em que até professores estão desistindo de ensinar, um tempo em que crianças vão para a escola armadas, que a violência desenrola dentro e fora de sala de aula; um tempo em que a poesia da infância se perde pelos sinais da cidade, pelas ruas dos bairros de classe média; um tempo em que estamos aprendendo a temer aqueles que carecem da nossa atenção.
Meu Deus, o que será das crianças? Quem aí do outro lado ouvirá o seu clamor?
A todos os pais, professores, educadores e cristãos anônimos, insisto que não desistam de apontar o caminho a uma criança, de ousar em ajuda-la a discernir entre o certo e o errado, e a ensinar. Todo o tempo, ensine, pois o ensino resgata a dignidade e ilumina a estrada escura da experiência.
Pr. Weber






































